Que saudades daquele interior,
que fica pelas bandas de lá. Talvez se eu fale ninguém o conheça, mas quem
viveu talvez não esqueça. Saudades dos dias de chuva. Aquele “cheiro de verde”,
eu olhava e enchia os olhos com a imensidão , as gotas caindo, molhando aquela
terra, matando a sede dos bichos, antes era quase sertão. Não ouvia buzinas, a
não ser dos tios para anunciar a chegada tão esperada aos domingos, eram os
pássaros quem fazia a festa. Eles cantavam e me encantavam todas as manhãs
naquele pé de seriguela. Este o meu passatempo naqueles dias que seguiam, lento
quase parando! A vida não tinha pressa e nem me exigia correria. Eu era tão
feliz na minha inocência que não sabia o que a vida na cidade me traria, corria
feliz e leve. “SÓ” levava a alegria de brincar com os pés descalços naquele
chão, tomando banho de chuva e minha avó gritando: “menina olha o trovão”. Ah minha
avó, minha saudade maior é dela... Cozendo naquelas panelas de barro, parece
que dali disseminava o sabor, que hoje delicio nas lembranças... Saudades da
galinha caipira, todos à mesa aprovando os momentos de união. Saudades dos primos correndo, caindo e alguma
mãe gritando: passa pra dentro “minino”. Aquelas competições que fazíamos
minhas primas e eu, de quem chegava mais rápido a lagoa ou qual o bicho que
entoa. Brincadeira de povo do interior é assim, não tinha Play Station, nem Xbox,
não sabia o que era The Sims, brincava de corda, de pega, esconde e trampolim,
mas que vovó nunca saiba, nosso trampolim era a cama ou quando não era o chão,
que amortecia a queda com aquela areia meio branca e fofinha. Lembro dela me
dizendo: um dia isso tudo será de vocês! Esta natureza é nossa minha filha,
zele pelo que Deus nos deu.
E hoje com meu coração em
alegria diante de tantas lembranças boas, eu divido com você que viveu. Quem
não viveu só lamento... Você na sua era dos enlatados não pôde sentir as gotas
de orvalho, mas a culpa não é sua talvez, não te culpo nem condeno, pois eu
quem tive a sorte de viver onde vivi e trazer até hoje comigo, um pouco do que
tava ali. Naquelas terras lá pelas bandas do Aracati.
