Onde estão
aqueles risos na varanda que deixei aportado nas lembranças? Dona Maria sei que
demorei, entretanto estou aqui.
Não é tão
tarde porque aprendi que nunca é tarde. Não é verdade Dona Maria? Quero todos
os risos e não aceito nenhuma condição de troca. Vim de longe para
recuperá-los...
Aonde vivo só
encontro passos entre descompassos.
Tudo corre,
passa largo, depressa... até as horas Dona Maria.
A senhora
lembra que a vida era mansa, os ensejos de alegria tardavam a cruzar.
De tarde na
varanda eu via tudo com olhos de esperança, nem sabia o que viria. Os vizinhos
se comunicavam, trocavam uma xícara de chá,
Lá as trocas
são diferentes, uma xícara de mel por outra de fel e a Paciência é uma virtude catada como quem procura
um tesouro.
As pessoas
andam despidas Dona Maria, mas calma, elas não andam sem roupas,mas andam nuas
de caráter e coração. O egoísmo prevalece e o ter é mais importante que o ser. Em
suas bolsas não há gentileza e sim farpas a serem lançadas no dia que percorre.
Eu posso
levar o que me resta Dona Maria? Não vai lhe fazer falta nestes dias os risos
que durante tanto tempo deixei aqui para fazer dos teus dias melhores que os
meus?
Ou posso te
levar comigo para a nossa alegria estar completa.

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